Porque é que este método para deixar de fumar é tão eficaz?

Ultimamente, muitas pessoas têm-me questionado sobre o facto da hipnose ser tão eficiente num processo como o deixar de fumar. Não há uma resposta simples para esta questão, mas sim várias.

Em primeiro lugar, penso que é importante entender que a mente inconsciente não é lógica e/ou linear como a mente consciente, assim sendo é mais fácil aceitar os factos do que tentar compreende-los. No entanto, posso explicar como o processo funciona, bem como o conjunto das técnicas que todas somadas são mais do que a soma das partes, isto é, conjuguei num processo único, diferentes técnicas, de diferentes abordagens que se complementam entre si e se reforçam mutuamente.

Como é que se começa a fumar?

Normalmente começamos a fumar, como em tantas outras coisas, por imitação, isto é, imitando alguém que nos é querido ou simplesmente alguém com quem nos queremos parecer. São raros os casos em que as pessoas obtiveram prazer no primeiro cigarro, ainda assim insistem em fumar, simplesmente porque a necessidade de amor e aceitação é mais forte do que estimulo fisiológico para parar.

Insiste-se e rapidamente se torna num hábito com maior ou menor dependência fisiológica em relação aos agentes químicos envolvidos no processo. Na verdade, acredito que da mesma forma que se começa a fumar “contra vontade”, isto é, ignorando os sinais de repulsa do organismo, a dependência fisiológica não é relevante, embora se insista na dependência do corpo em relação à nicotina. A minha experiência tem-me mostrado que a nicotina é um factor irrelevante no processo e a prova disso são os milhões de pessoas que deixam de fumar com adesivos e rapidamente voltam a fumar ou não deixam de todo.

Pode, no entanto, haver pessoas com personalidade mais aditivas que outras, mas insisto, a verdadeira dependência está relacionada com a personalidade e não com o corpo, com o hábito social e não com a nicotina, com a insegurança e carências emocionais, muito mais do que com os químicos que estão presentes no fumo.

 Como é que se instala o hábito?

Como já foi referido, começasse a fumar por necessidade de atenção, amor, aceitação social e insegurança. Se começou a fumar na adolescência é fácil recordar que o cigarro lhe dava significância, reduzindo a sua insegurança, assemelhava-se aos mais fortes, aos mais velhos ou aos mais rebeldes, logo aos mais corajosos, e durante muitos anos teve ainda o reforço dos heróis de Hollywood. Por outro lado, tinha um sentimento de pertença, de pertença a um grupo, ao grupo dos fumadores, que significava: o grupo dos mais velhos, dos mais adultos, dos mais fortes, dos mais sexys, dos mais rebeldes, etc….

Passada esta fase, instala-se um hábito, um hábito com um significado positivo inconsciente. Isto é, associado a emoções positivas que satisfazem as sua necessidades de segurança, amor, aceitação e liberdade.

Segurança, porque desde que começou a fumar sente que este hábito é como um “porto seguro”, pois sabe o que pode esperar quando fuma um cigarro. Quando era mais novo(a) sentia-se mais velho(a), mais adulto(a), mais forte e tudo isto ficou gravado na sua mente inconsciente.

Liberdade, porque ao começar a fumar deu um grito de rebeldia, de passagem para a idade adulta em que sentiu ter o poder de fazer o que queria, ou acreditou que tinha esse poder…

Aceitação social e necessidade de amor, seja pelo sentimento de pertença a um grupo, seja por se ter visto mais sexy enquanto fumava, ou simplesmente porque nos filmes os actores, bem sucedidos e normalmente muito “amados”, levaram a sua mente inconsciente a acreditar que podia ser assim, se já se vestia de forma idêntica ou o mais possível, uma das coisas que podia começar a fazer era fumar um cigarro.

Já sei que consigo não foi assim… A primeira reacção quando explico isto a alguém é resistência. Sim, já sei que no seu caso não foi nada disto. E na verdade não foi, pelo menos ao nível daquele que me está a ler, não foi nada disto ou muito pouco se passou na sua mente consciente, se isto se tivesse passado na sua mente consciente, provavelmente, não teria começado a fumar.

Tudo isto é bem mais profundo e passou-se/passa-se todos os dias numa parte de si que não controla, mas sim numa parte que o controla a si. Ainda que tenha uma ilusão de escolha, aceite o facto de que 95% do que faz, sente ou da forma como reage, não é escolhido por si, reage apenas a padrões que foram programados. Por isso, muitas pessoas dizem que não param de fumar porque não querem, mas quando lhes pergunto porque é que não querem, normalmente não há uma resposta ou resume-se a um: -“não me apetece!”

Como funciona este processo único para deixar de fumar?

O processo que criei utiliza a hipnose como técnica para deixar de fumar e combina várias influências de estudos, bem como a minha experiência pessoal, para “des-programar” o hábito e “re-significar” emocionalmente o acto de fumar.

Atendendo à natureza do hábito, à forma como se começa a fumar e tudo que o hábito significa emocionalmente, é necessária uma abordagem que considere o Homem no seu todo e intervenha em cada uma das suas dimensões: mental, espiritual, emocional e física. Mais ainda, que procure re-significar as necessidades que o acto de fumar satisfaz e que reforce a forma como essas necessidades estavam, ilusoriamente, a ser preenchidas, mostrando de seguida como estarão realmente a ser satisfeitas não fumando.

Tudo isto assume um impacto muito maior ao ser feito através da hipnose. Realmente, a grande diferença é que o estado hipnótico proporciona uma janela de comunicação com a mente inconsciente. Acredito que apenas assim se pode mudar um hábito forte como o de fumar, sem criar stress, ansiedade, sem haver substituições, como alteração de hábitos alimentares , e de forma permanente.

Grato,
Rui Mira

P.S. – Veja aqui os estudos científicos que demonstram a eficácia da hipnose para deixar de fumar.

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ruimira

Se tem solução não é problema. Se não tem solução nunca foi problema. Mais do que uma frase está é uma forma de vida. Quando integramos esta frase na nossa vida reduzimos em muito os níveis de stress, que como sabemos são muitas vezes fonte de doenças que se manifestam de diferentes formas dependendo de pessoa para pessoa. Se tem solução, resolve-se. Se não tem solução, não é um problema mas sim um facto.

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