3 Passos simples para controlar um ataque de pânico

É horrível, quem sofre de ataques de pânico sabe que não há palavras para descrever a situação que, embora dure apenas alguns minutos, parece uma eternidade e limita de forma assustadora a liberdade da pessoa. O medo de ter um ataque de pânico instala-se e a pessoa começa a recear estar sozinha, sair, conduzir, viajar, porque a qualquer momento pode ser tomada pelas sensações que antecedem um ataque de pânico, como falta de ar ou sufocamento, asfixia, palpitações e batimento cardíaco acelerado, dor no peito, suores, tontura ou vertigem, náusea, calafrios ou ondas de calor, tremores… etc.

O ataque de pânico, na minha opinião, é uma forma extrema do inconsciente comunicar com a pessoa, com o consciente, e alertar para a necessidade de mudanças urgentes. Para os mais espirituais podemos dizer que é um grito da alma, um BASTA!

Devido ao estilo de vida que temos, somos bombardeados com excesso de informação, demasiados estímulos, se somarmos a isso todas as tensões e preocupações que temos na vida, dá uma grande panela de pressão prestes a rebentar. Ou pelo menos é essa a análise do inconsciente, é assim que ele se sente, e a forma de comunicar isso traduz-se num ataque de pânico que não é mais que uma resposta extrema do organismo, normalmente só utilizada em situações de perigo real.

Em situações de perigo real temos um sistema que prepara o corpo para a acção. Numa fracção de segundos somos levados a decidir entre lutar ou fugir, esta é uma resposta emocional e por isso muito mais rápida do que a resposta lógica.

Se houvesse lógica neste processo, a pessoa com um ataque de pânico pensaria e chegaria à conclusão que não lhe serve de nada, que como não tem nenhum problema físico, logo não há razão para ter medo de morrer, mas a verdade é que o medo se apodera mais rapidamente que qualquer pensamento e os sintomas instalam-se uns a seguir aos outros, num descontrolo total que leva a um pico de ansiedade extremo.

O medo de ter um ataque de pânico serve também de catalisador do próximo ataque de pânico, tornando a situação ainda mais complexa. Sendo o ataque de pânico medo de morrer estamos perante o medo de ter medo. O medo de surgir um episódio em que sou controlado pelo medo.

Há varias abordagens para este problema, a mais fácil e rápida é normalmente os fármacos que não resolvem o problema mas ajudam a controlar os sintomas, em situações graves podem ser uma boa ajuda mas penso que ninguém quer estar dependente de fármacos que nos adormecem, que tantas vezes nos tiram a alegria de viver ou nos dão uma falsa alegria. Podem mesmo ser uma dependência grave com efeitos secundários indesejados.

Assim que sente os primeiros sintomas que antecedem um ataque de pânico faça o seguinte:

1 – Exercício respiratório
A hiperventilação associada ao ataque não ajuda, antes pelo contrário, os efeitos do excesso de oxigénio trazem sensações que só agravam o cenário, tais como, tonturas, confusão, sensação de peso ou rigidez nos membros, vertigens, aperto ou dores no peito, etc.

Quando sente os primeiros sintomas de um ataque de pânico, deve então controlar a respiração de forma lenta, sem inspirar profundamente e sempre pelo nariz, da seguinte forma:

– Inspirar lentamente pelo nariz e reter 10 segundos;
– Expirar lentamente pelo nariz;
– Inspirar pelo nariz durante 3 segundos;
– Expirar pelo nariz durante 3 segundos;
– Durante 1 minuto faça o ponto 3 e 4;
– Repita todo o processo até acalmar os níveis de ansiedade.

2 – Olhe para lá do ataque de pânico
Enquanto faz o ponto 1 pense no que vai fazer a seguir, para onde vai, imagine-se já a chegar ao seu destino, ou a falar com aquela pessoa que vai encontrar… etc.

3 – Distraia-se com qualquer outra coisa externa a si
Olhe à sua volta e entretenha a sua mente com coisas como contar as pessoas com roupa vermelha, ou com ténis, que estão à sua volta, encontre qualquer padrão com que se entreter, a ideia é não se focar nas sensações internas, mas sim no mundo externo à sua volta.

Se já teve um ataque de pânico é bem capaz de estar prestes a chamar-me nomes, porque acha que tudo isto é impossível de fazer na situação extrema que é um ataque. Reforço, são formas de se acalmar quando pressente que está a entrar naquela escalada que leva ao ataque, não durante o ataque em si. Reconheça quais os sintomas que aparecem mesmo no início, ou as situações e comece logo a fazer o exercício.

É também possível instalar âncoras em hipnoterapia. Ancoras são formas de aceder a estados emocionais específicos. Ou seja são dadas sugestões durante o transe hipnótico para condicionar, ou des-condicionar o processo que leva à escalada do ataque de pânico. Por exemplo, aceder a um estado de calma e tranquilidade sempre que mexe na orelha esquerda. Desta forma quando surge a situação que considera suspeita de levar a uma escalada de ansiedade pode mexer na orelha esquerda e aceder a um estado de calma, tranquilidade, evitando assim o episódio desagradável.

Como se trata do medo de ter medo, com o tempo, vai-se dando a des-sensibilização e eventualmente os ataques desaparecem, mas relembrando aquilo que escrevi ao início, as mudança no estilo de vida são necessárias e inevitáveis, ou pelo menos a forma como encara os problemas do dia-à-dia. Nada importa mais que a sua saúde.

Grato,
Rui Mira

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ruimira

Se tem solução não é problema. Se não tem solução nunca foi problema. Mais do que uma frase está é uma forma de vida. Quando integramos esta frase na nossa vida reduzimos em muito os níveis de stress, que como sabemos são muitas vezes fonte de doenças que se manifestam de diferentes formas dependendo de pessoa para pessoa. Se tem solução, resolve-se. Se não tem solução, não é um problema mas sim um facto.

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